Archive em Agosto 2017

Neste dia, nasce Nelson Rodrigues

Neste dia, 23 de agosto, no ano de 1912, nascia em Recife um dos mais respeitados escritores brasileiros do século XX, e o melhor dramaturgo do país.

Já no Rio de Janeiro, ainda jovem, começou a trabalhar como repórter no periódico do seu pai, Mário Rodrigues, A Manhã.  Fez cobertura policial e de sociedade durante longos anos, o que lhe permitiu escrever muito e de dentro sobre essa sociedade em que se movia.

A sua primeira peça foi A Mulher sem Pecado”, de 1941, e dois anos depois foi conhecida aquela que lhe deu sucesso, Vestido de Noiva. “foi considerado ao mesmo tempo um imoral e um moralista, reacionário e pornográfico, um gênio e um charlatão, escandalizando, como nunca, o público e a imprensa especializada da época com seu teatro desagradável. Explorando a vida cotidiana do subúrbio do Rio de Janeiro, preencheu os palcos com incestos, crimes, suicídios, personagens beirando a loucura, inflamadas de desejos e agindo apaixonadamente, até matando, e diálogos rápidos, diretos, quase telegráficos, carregados de tragédia e humor”, refere o site da UOL Klick Educação.

Com Vestido de Noiva, houve uma renovação com, por exemplo, o decorrer em três planos simultâneos (realidade, memória e alucinação construíam a história da protagonista Alaíde), uma das inovações que iniciaram o processo de modernização do teatro brasileiro.

O escritor morreu no dia 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos, no Rio de Janeiro, por conta de complicações cardíacas e respiratórias.

Separados à nascença I

Reedição do livro de Gustavo Santos, A Dança da Vida, e primeira edição da versão portuguesa do livro de Marc Levy Ela e Ele usam a mesma foto na capa. Invertida mas a mesma. Com a particularidade de terem sido comercializados com três dias de diferença, um a 6 e outro a 9 de junho.

O Inferno? Somos nós.

Depois de cinco apresentações no Bar Pinguim Café, no início de abril, a performance “Urro” está de regresso. Quem quiser subir ao ringue, poderá fazê-lo nas próximas semanas no Porto, Viana, Caldas da Rainha e Lisboa. E prepare-se para aguentar dois assaltos de uma peça que acerta lá onde dói.

Um gira-discos toca o single do John Lennon a 45 rotações, a música é o “Give Peace a Chance”. Três mesas alinhadas em U colocam o ator no meio da cena, de costas para o público, a ler um livro em branco. Mal acaba a música, o personagem vestido de roupão azul, de cetim, debruado com uma fita cor-de-rosa, tenta acordar para o mundo ouvindo discursos e músicas e máximas em cassetes de fita num velho leitor-gravador em formato de gaveta. Nada parece desassossegá-lo, como um depressivo com a medicação em dia, “meio ressacado para a vida mas bem-disposto, felicíssimo por o dia começar”, até que num laptop, o personagem se ouve a si próprio. Como se saísse da sua redoma de autorreclusão, aos poucos vai tomando consciência a caminho de perder as estribeiras. Não que essa consciência lhe sirva necessariamente para alguma coisa, não que

perca necessariamente as estribeiras, apenas se limite a racionalizar uma série de evidências, com ironia, sarcasmo ou até cinismo sobre a nossa sociedade, cujo excesso de positivismo transforma em descrença qualquer raciocínio menos otimista.
Ler mais