Archive em Setembro 2017

Entrevista: Jorge Carrión, no Sol

Jorge Carrión é um colecionador de livrarias. Nascido em Tarragona em 1976, doutorou-se em Humanidades e trabalha como jornalista e escritor. Viajante experimentado, a primeira coisa que faz quando chega a uma cidade é visitar o museu de arte contemporânea, se o houver, e descobrir as suas livrarias. Só depois vem o resto.

O lugar de segurança que para a minha mãe e para a minha avó era a igreja, para mim é a livraria. A etimologia da palavra latina para religião é ‘re-ligio’, que significa ‘religar’, voltar a, unir, com uma certa experiência. Creio que nesta época de vida passada ao ecrã, ao computador, a livraria é o lugar privilegiado para nos religar com o objeto, com o material. A livraria tem uma dimensão ritual muito acentuada.

Acha que as livrarias estão a ficar cada vez mais parecidas umas com as outras?

Hoje há muitas livrarias, mas penso que podem ser divididas nalgumas tipologias principais. Uma é a livraria de cadeia, que tem um desenho muito homogéneo. Outra é a livraria independente, que também tem uma estética muito própria, com muita madeira, sofás, um aspeto boémio… Depois as livrarias de design ou de museu, que são brancas, diáfanas. Há tendências, mas depois os bons livreiros sabem dar a cada uma o seu próprio toque de originalidade. E muitas vezes sabemos que detrás de uma boa livraria há um bom ateliê de arquitetura. As livrarias são obra de um livreiro e de um arquiteto.

Há alguma livraria onde vá com mais frequência?

Quase todos os dias, depois de ir buscar os meus filhos ao colégio, vou com eles a uma livraria que fica no meu bairro, a Nollegiu. Essa é que tenho mais à mão. Mas tento não perder o contacto com outras que me interessam e sempre que vou a uma cidade nova tento conhecer as suas livrarias. Ainda há um bocadinho fui à Pó dos Livros e trouxe de lá um cartão. Tenho uma caixa com milhares destes cartões de todo o mundo.

Continuar a ler.

Biblioteca Joana em selos

Os CTT apresentaram uma nova emissão filatélica que celebra os 300 anos da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, composta por um selo de 0,50€ e uma tiragem de 125 mil exemplares e outro com o valor facial de 1,00€ e uma tiragem de 115 000 exemplares, com o formato de 80X30,6mm e design da B2 Design.

“Um dos selos desta emissão mostra-nos diversos pormenores desta biblioteca da Universidade de Coimbra, entre eles a vista geral da sala 2, numa fotografia de Paulo Mendes; uma Bíblia Hebraica, dita “Bíblia de Abravanel”, da segunda metade do século XV; a folha 6 (salmos iniciais), parte do acervo da Biblioteca Joanina; a bíblia “atlântica” do século XIII, num pormenor da folha 2 do Livro da Sabedoria; e uma carta de fidalguia manuscrita e iluminada do licenciado Prado de Vivar Vecino de Griñon, de 13 de agosto de 1569. O outro selo apresenta a estante, da autoria de Gaspar Ferreira e Manuel da Silva; também a «Bíblia de Abravanel», mas desta feita a folha 384v (decorações micrográficas finais); um pormenor da coroa sobre o «emblema» da Teologia, na Sala 3 da Biblioteca, da autoria de Gaspar Ferreira (talha) e Manuel da Silva (douradura); e a Bíblia «atlântica» (atrib. Estrasburgo, séc. XII), Tábuas dos Cânones Evangélicos”, descreve o site dos CTT.

A primeira pedra na construção foi colocada a 17 de julho de 1717, no exterior do primitivo perímetro islâmico, sobre o antigo cárcere do Paço Real, com o objetivo de albergar a biblioteca universitária de Coimbra. Terminada em 1728, é um dos expoentes do barroco português e uma das mais ricas bibliotecas europeias, aparecendo em muitas listas das mais bonitas do mundo. Ficou conhecida como Biblioteca Joanina em honra e memória do Rei D. João V (1707-1750), que patrocinou a sua construção e cujo retrato, da autoria de Domenico Duprà (1725), domina categoricamente o espaço.

±MaisMenos± expõe na Livraria Arquivo

A Livraria Arquivo, de Leiria, tem exposto até ao dia 5 de Outubro, uma recolha fotográfica do trabalho de Miguel Januário, o artista que assina como MaisMenos. “No Princípio Era o Verbo” mostra a primeira década de ±, esse projecto de intervenção artística que questiona o modelo de sociedade, política, económica e socialmente, “por entre uma enciclopédia de exercícios de ironia, drama premeditado e labirintos de circularidade” como escreve Heitor Alvelos na apresentação da mostra (texto em baixo). 
A exposição “No Princípio Era o Verbo”  está inserida em Arte Pública Leiria: Paredes com História (+).

Ler mais

50 anos da publicação de O Macaco Nu, de Desmond Morris

O livro que se apresenta como o estudo antropológico da evolução do homem, identificado precisamente como uma evolução do macaco em vez de como um anjo caído, O Macaco Nu, praticamente indisponível nas livrarias portuguesas, está a cumprir cinquenta anos.

O Observer ouviu quatro especialistas sobre a tese de Demond Morris. Robin Dunbar defende que “a tese principal de Morris, que muito do nosso comportamento pode ser entendido no contexto do comportamento animal, aguentou o teste do tempo, mesmo que alguns dos seus detalhes não o tenham”. Angela Saini reconhece a importância mas com muitas críticas sobre a visão da mulher: “A sua consistente incapacidade de perceber o impacto do patriarcado e da repressão feminina roça a bizarria”. Ben Garrod, primatólogo, refere que “O Macaco Nu é como um velho colega com quem crescemos e nos apercebemos que ele não é assim tão perfeito quanto pensávamos” e o apresentador Adam Rutherford diz que “este é o problema principal de o Macaco Nu: é um livro cheio de ideias interessantes que têm pouca validade científica”.

Uma pesquisa online nas livrarias portuguesas não deixa aparecer O Macaco Nu, apenas no OLX. Encontra-se A Olho Nu e outros livros do autor, na Wook, por exemplo.

As pedras falam em Atenas | Euronews


Na capital da Grécia, um projeto utiliza encena textos de Homero, Platão ou Aristóteles junto ao outro grande património da cidade, as suas pedras. “Os turistas e os cidadãos locais têm uma experiência diferente sete dias por semana, sete performances diferentes em sete locais únicos da cidade. O público pode filosofar em três línguas diferentes: inglês, francês e grego. Jovens atores e atrizes entraram no projeto e fizeram as pedras falar. As pedras vão continuar a falar até 10 de outubro” (da Euronews).

Assírio traz novas edições de Almada

Almada Negreiros

A Assírio e Alvim lança por estes dias novas edições de Poemas e Ficções de Almada Negreiros.

Ficções, em segunda edição, é muito aumentado em relação à primeira, inclui textos dispersos entretanto localizados, mais quatro inéditos, anuncia a editora. “Ficam assim reunidas todas as ficções almadianas conhecidas até à data, para além do romance Nome de Guerra já reeditado em versão revista pelo manuscrito original”.
No Poemas de Almada Negreiros, refere também a Assírio, “incluem-se alguns dos mais radicais das vanguardas do século XX”. Este volume reúne o conjunto completo da poesia de Almada Negreiros. Nesta segunda edição, aumentada, e revista pelos manuscritos originais, inclui-se três caligramas e um poema-carta, e ainda doze poemas inéditos.

Um excerto de Poemas pode ser lido aqui.
Primeiras páginas de Ficções a ler aqui.

Feira do Livro no Palácio de Belém

Marcelo Rebelo de Sousa (imagem Presidencia.pt)

Ricardo Araújo Pereira e Luísa Sobral vão participar na Festa do Livro de Belém, uma iniciativa do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destinada a promover a leitura, com uma programação cultural que inclui teatro, poesia, debates, música e cinema e terá uma homenagem à atriz e fundadora do PS Maria de Jesus Barroso. Neste sentido, logo sexta-feira 22 será exibido o filme “Mudar de Vida”, de Paulo Rocha, realizado em 1966, no qual a esposa do ex-Presidente Mário Soares interpreta o papel de Júlia.

Realizada em parceria com a APEL, a iniciativa teve 24 mil visitantes, ano passado, nos jardins do Palácio de Belém.

Ler mais

Entrevista: Sebastião Salgado com Drauzio Varella sobre Da Minha Terra à Terra


“Nada disso foi feito para ser publicado, isso foi feito para ser vivido”. O escritor e médico Drauzio Varella teve um interessante programa de entrevistas. Aqui, o fotojornalista Sebastião Salgado apresenta o livro biográfico Da Minha Terra à Terra, falando da sua vida desde a sua terra até à descoberta da Terra.