Ponta Gea, de João Paulo Borges Coelho vence prémio BPI

Ponta Gea, de João Paulo Borges Coelho vence prémio BPI

João Paulo Borges Coelho venceu a 8.ª edição do prémio BCI de literatura com a obra “Ponta Gea”, um livro que combina as memórias de infância do autor com ficção. “A abundância das descrições no enredo produz o efeito poético e concorre, por isso, para a singularidade da obra, do ponto de vista estético”, justificou o júri, presidido pelo escritor e jurista Jorge Oliveira. O autor já tinha vencido o prémio em 2010 “O Olho de Hertzog”, que foi Prémio Leya, em 2009.

O título provém do nome de um bairro da cidade da Beira, erigido em “zona de origem” do autor.  Composto por quinze textos que se entrecruzam e sugerem uma sequência cronológica, mas que também podem ser lidos isoladamente, não se trata de um livro de memórias da infância, mas de um exercício de ficção, de como o mundo era visto a partir dessa idade em que, como escreveu Proust, ‘se acredita que criamos aquilo que nomeamos’.

Na apresentação do livro, João Paulo Borges Coelho sublinhou a importância da infância, quando “somos o centro do mundo e nisso há uma relação profunda entre a forma como olhamos para o mundo e a ficção. A perspetiva que os mais novos têm da realidade pode ser encarada como um primeiro momento da ficção”. Para Borges Coelho, narrar a riqueza de episódios que vivenciou ainda menino, na Beira, com ‘pitadas’ de ficção, amplia a compreensão de acontecimentos que à época pareciam ilógicos. Nessa altura, dizia, “somos alheios à lei da física, não faz sentido a relação causa-efeito”.

Borges Coelho sublinhou que a força de uma infância que tinha de ser contada, também em forma de ficção, foi de tal forma inelutável, que o livro “Ponta Gea” se impôs sozinho.

Estreou-se no romance com “As Duas Sombras do Rio”, em 2003, seguindo-se, desde então, títulos como “Setentrião”, “Meridião”, “Crónica da Rua 513.2”, “Campo de Trânsito”, “Hinyambaan”, “Cidade de Espelhos”, “Rainhas da Noite” e “Água, uma novela Rural”

João Paulo Borges Coelho nasceu no Porto, em 1955, mas obteve nacionalidade moçambicana. Historiador, é professor catedrático de História Contemporânea de Moçambique e da África Austral, na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, e professor convidado no Mestrado em História de África da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Tem-se dedicado à investigação das guerras colonial e civil em Moçambique, tendo publicado artigos científicos em Moçambique, Portugal, Reino Unido, Espanha e Canadá.

“Ponta Gea”, publicado em novembro, é o 11º romance do escritor.

Filinto M