Reportagem

Reportagem da RevistadeArte-Logopress na exposição “Pessoa. Todo arte es una forma de literatura” no Museu Reina Sofía, mais de 160 obras de pintura, desenho e fotografia de 20 artistas como José de Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Sarah Affonso, Júlio ou Sónia e Robert Delaunay, para citar alguns, assim como abundante documentação original (manifestos, livros e revistas, correspondência, etc.), procedente de diversas colecciones privadas e instituições como Fundação Calouste Gulbenkian (56 obras), Biblioteca Nacional de Portugal ou Centre Georges Pompidou. “La muestra narra con este amplio conjunto, cómo Pessoa y los artistas visuales coterráneos de aquella época, al contrario de lo que ocurrió en otros contextos periféricos, nunca fueron miméticos seguidores de las innovaciones surgidas en los centros neurálgicos como París, capital de los nuevos lenguajes artísticos desde el siglo XIX”.

Fernando Pessoa e a arte dos seus contemporâneos, em Madrid

O Museu Reina Sofia pegou em Fernando Pessoa para fazer uma mostra da vanguarda portuguesa sua contemporânea, nomeadamente a partir do conhecido retrato que dele pintou Almada Negreiros (versão 1964). A exposição foi inaugurada na semana passada.

Toda a Arte É Uma Forma de Literatura é comissariada por Ana Ara e João Fernandes.

 

Ponta Gea, de João Paulo Borges Coelho vence prémio BPI

João Paulo Borges Coelho venceu a 8.ª edição do prémio BCI de literatura com a obra “Ponta Gea”, um livro que combina as memórias de infância do autor com ficção. “A abundância das descrições no enredo produz o efeito poético e concorre, por isso, para a singularidade da obra, do ponto de vista estético”, justificou o júri, presidido pelo escritor e jurista Jorge Oliveira. O autor já tinha vencido o prémio em 2010 “O Olho de Hertzog”, que foi Prémio Leya, em 2009.

O título provém do nome de um bairro da cidade da Beira, erigido em “zona de origem” do autor.  Composto por quinze textos que se entrecruzam e sugerem uma sequência cronológica, mas que também podem ser lidos isoladamente, não se trata de um livro de memórias da infância, mas de um exercício de ficção, de como o mundo era visto a partir dessa idade em que, como escreveu Proust, ‘se acredita que criamos aquilo que nomeamos’.

Na apresentação do livro, João Paulo Borges Coelho sublinhou a importância da infância, quando “somos o centro do mundo e nisso há uma relação profunda entre a forma como olhamos para o mundo e a ficção. A perspetiva que os mais novos têm da realidade pode ser encarada como um primeiro momento da ficção”. Para Borges Coelho, narrar a riqueza de episódios que vivenciou ainda menino, na Beira, com ‘pitadas’ de ficção, amplia a compreensão de acontecimentos que à época pareciam ilógicos. Nessa altura, dizia, “somos alheios à lei da física, não faz sentido a relação causa-efeito”.

Borges Coelho sublinhou que a força de uma infância que tinha de ser contada, também em forma de ficção, foi de tal forma inelutável, que o livro “Ponta Gea” se impôs sozinho.

Estreou-se no romance com “As Duas Sombras do Rio”, em 2003, seguindo-se, desde então, títulos como “Setentrião”, “Meridião”, “Crónica da Rua 513.2”, “Campo de Trânsito”, “Hinyambaan”, “Cidade de Espelhos”, “Rainhas da Noite” e “Água, uma novela Rural”

João Paulo Borges Coelho nasceu no Porto, em 1955, mas obteve nacionalidade moçambicana. Historiador, é professor catedrático de História Contemporânea de Moçambique e da África Austral, na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, e professor convidado no Mestrado em História de África da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Tem-se dedicado à investigação das guerras colonial e civil em Moçambique, tendo publicado artigos científicos em Moçambique, Portugal, Reino Unido, Espanha e Canadá.

“Ponta Gea”, publicado em novembro, é o 11º romance do escritor.

Autores que entram em domínio público, este ano

Os sites Projecto Adamastor e The Public Domain Review publicaram as listas dos autores que passam para domínio público este ano.
Da lista disponibilizada pela Associação Ensino Livre destacam-se Francisco Manuel Alves, abade de Baçal, Aarão de Lacerda, Alípio Rama, António Homem de Melo, António Maria da Cunha, Augusto Cunha (a lista está neste link).

Aleister Crowley e Pessoa, jogando

Dos nomes internacionais constam nomes como Aleister Crowley, amigo de Fernando Pessoa, que o ajudou a  forjar o suicídio, René MagritteSiegfried SassoonWinston Churchill, Hans Fallada e Che Guevaraentre outros.

Hillary Clinton faz cameo nos Grammy para (se) promover livro de Michael Wolff

Na cerimónia dos Grammy de ontem à noite, incluindo na passadeira vermelha, estiveram presentes vários assuntos da actualidade política estado-unidense. Incluindo, claro, o livro de Michael Wolff Fire and Fury, que mereceu um sketch com o cameo de várias figuras conhecidas do mundo da música… e Hillary Clinton.

Promoções até ao dia dos namorados (em actualização)

O “Dia dos Namorados” é um dos momentos altos da época baixa do comércio. Começou naturalmente nos Estados Unidos e propagou-se ao mundo ocidental, eventualmente a todo o mundo, como forma de agitar o comércio entre a desaustinada época natalícia (e de Saldos) e a Primavera como forma de rentabilizar e animar os consumidores. Hotéis, restaurantes, lojas de perfumes e de produtos de luxo têm um pequeno boost neste período, bem como as livrarias.

A primeira a anunciar as promoções do Dia dos Namorados foi a Bertrand (link aqui). As suspeitas do costume estão lá (Sveva, Moyes, Allende, Kenyon; Roberts, Koomson e Picoult), como a nova leva dos romances jovem adulto e as velhinhas cartas e poemas de amor.

Acervo de Miguel Veiga doado ao Porto

Rui Moreira e Miguel Veiga (imagem porto.pt)

Os cerca de 20 mil livros da biblioteca pessoal do advogado e político portuense Miguel Veiga foram doados à Câmara Municipal do Porto. O anúncio foi feito pelo presidente da autarquia ao propor na reunião de câmara um protocolo com a sua herdeira.  Entre os cerca de 20 mil volumes, “predominam temáticas ligadas à literatura e às artes, ao pensamento ou à política, em língua portuguesa e estrangeira, que em termos cronológicos abarca a parte final do século XIX, todo o século XX e princípios do atual”, relata o Porto24.  De acordo com o protocolo de doação, a Câmara compromete-se a integrar esta biblioteca no acervo das Bibliotecas Municipais, para a disponibilizar ao público leitor, integrando os catálogos físicos e digitais das Bibliotecas do Porto”.  Miguel Veiga morreu a 14 de novembro de 2016, aos 80 anos. Nasceu no Porto e foi, ao lado de Francisco Sá Carneiro e Francisco Pinto Balsemão, um dos fundadores do Partido Popular Democrático, hoje PSD, em 1974.

Morreu Germana Tânger


“O episódio mais célebre da sua longa carreira de diseuse foi talvez uma concorrida sessão no Teatro da Trindade, em 1959, quando subiu sozinha ao palco para ler, de cor, os quase mil versos da Ode Marítima de Álvaro de Campos. Um momento marcante não apenas enquanto façanha técnica, mas também pela coragem que exigia, e sobretudo a uma mulher, dizer um tal poema, com as suas violentas imagens de explícita dimensão homossexual e sado-masoquista, numa sala prestigiada do beato Portugal salazarista.”
In Público.

Livro de Fortalezas de D. Manuel I estudado in loco e será reeditado

O Livro das Fortalezas é um documento histórico notável. Manuscrito que terá sido executado por volta do ano 1510, por iniciativa do rei de Portugal, D. Manuel I, faz a recolha em desenhos dos 56 castelos fronteiriços do reino, que terão sido visitados e desenhados pelo autor Duarte de Armas.

Reformista e centralizador, de cujo reinado se destacam as Ordenações Manuelinas – consideradas como o primeiro documento jurídico organizado do país -, D. Manuel I (1495-1521) pretendia com o Livro das Fortalezas saber o estados das mesmas e necessidades de reforma que tinham.

“Duarte de Armas, escudeiro da Casa Real, acompanhado de um criado a pé, percorreu a cavalo a maioria das povoações acasteladas da fronteira, elaborando esboços em papel (debuxos) com as suas panorâmicas (ao menos duas por povoação, de diferentes direcções) e as plantas dos respectivos castelos, nelas indicando os trechos mais arruinados, onde obras se faziam mais necessárias” (Wikipédia).

A viagem começou em Castro Marim, prosseguindo até Caminha, e inclui também Barcelos e Sintra, perfazendo material para dois volumes, concluídos em Março de 1510. O códice contendo os dois volumes encontra-se actualmente depositado no arquivo nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.

Penas Roias. Com o pormenor dos pássaros à esquerda e a forca à direita.

Agora, conta a TSF, este levantamento está a ser revisitado por uma equipa de investigadores. O repórter José Ricardo Ferreira encontrou-se com dois dos investigadores em Almeida e conta uma parte do trabalho.

Os resultados serão conhecidos no final do ano com o objectivo de vir a ser publicada uma nova edição do “Livro das Fortalezas” e a montagem de uma exposição comparativa entre os desenhos antigos e os actuais.