Leonardo Padura, no Otra Vuelta de Tuerka

Rascunho automático

Numa escolha unânime do júri, Camões e Outros Contemporâneos (Presença, 2017), de Helder Macedo, venceu a edição de 2018 do prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus. “Poeta e romancista reconhecido, Helder Macedo oferece-nos neste livro da sua vertente ensaística um percurso pela literatura portuguesa, da Idade Média à actualidade, em que a familiaridade com os grandes autores do passado e os do presente nos aproxima do seu universo, cruzando criação e vida”, diz a acta do júri, que assinala ainda a coincidência de o prémio ser atribuído “a uma obra que começa precisamente pela análise inovadora de uma cantiga de amigo do rei poeta que o nome do prémio celebra”. Conquistou ainda os jurados o modo como Macedo “assume a ousadia das suas descobertas e o faz com uma erudição que, longe de afastar o leitor, o fascina pelos novos horizontes que vem abrir”. Do Público.

António Guerreiro: Odeio livros

Sobre a crónica de José Pacheco Pereira sobre livrarias, escreve António Guerreiro, também no Público:
“Não é o livro que está em perigo (esse, é produzido em abundância); o que está em perigo (e não faltam no últimos anos os gritos de alarme, um pouco por todo o lado) é precisamente o sector da literatura, do ensaísmo, da ciência e das humanidades, que foi, até ao momento em que a edição seguiu o modelo do consumo e da produção industrial, o tronco da actividade editorial. Tanto livro, tanto livro, mas a maior parte do património literário está completamente ausente da edição e, ainda mais, das livrarias. Podemos dizer que os livros gozam hoje de um prestígio que, na generalidade, já não merecem; e que não há maior injustiça do que o triunfo deste canibalismo do lixo editorial que, ainda por cima, se alimenta do capital simbólico daqueles que ele devora. Este estado de coisas engendrou até a sua linguagem e os seus “conceitos”: as categorias de “ficção” e “não-ficção”, esse jargon que o sector editorial difundiu com sucesso por todo o lado, até nas páginas de crítica literária, representam a realização de um desígnio de simplificação e redução. Inventam-se as categorias e depois organiza-se o mudo em função delas.”

Moreira da Costa pode ser despejado

Conta o JN deste sábado que a Moreira da Costa corre o risco de fechar pois os novos proprietários do Hotel Infante Sagres, senhorios da livraria, querem incluir aquele espaço nas obras de remodelação do edifício, encerrá-lo e abrir uma loja de artigos relacionados “com a marca e com a cidade”, refere o jornal. O mais antigo alfarrabista da cidade do Porto tem o selo do programa municipal “Porto Tradição” mas nem isso parece interferir com a decisão, da mesma forma que sucedeu em Lisboa com a Aillaud e Lello, em Lisboa. “O alfarrabista, fundado em 1902 na Rua de Aviz, pretende manter ali os seus 50 mil títulos. A Sagrotel quer ocupar o espaço e alega que denunciou o contrato de arrendamento antes da Moreira da Costa ser considerada loja histórica”, explica o jornal, e a câmara confirmou: “A denúncia do contrato é anterior ao requerimento e consequente processo de reconhecimento. Prevalece, por isso, o mecanismo legal acionado pelo senhorio, a menos que se verifique consenso entre as partes”. A empresa refere que o projecto aprovado na autarquia “obriga à desocupação total da livraria”.

Saldos a peso na Rua das Flores

Livros ao quilo. Assim é, o Mercado do Livro, ou mercado do saldo, que a empresa calendário de Letras organiza habitualmente na nave do Palácio de Cristal e que este ano transferiu para a Rua das Flores, segundo noticia o Porto24. “Estamos certos que este é o local certo para substituir o Pavilhão Rosa Mota, que vai deixar saudades. A Rua das Flores tem uma nova vida, onde passam milhares de portugueses e turistas todos os dias. Há ideias a transformarem-se constantemente em negócios e muitas novas atrações”, referiu Francisco Curralo, da Calendário de Letras, a editora responsável pela organização do evento. A outra mudança é a realização de “um verdadeiro mercado vende produtos ao quilo”. A venda, o mercado, decorre no Museu da Misericórdia do Porto, das 10h às 20h.

Marlene Ferraz em entrevista ao i

As Falsas Memórias de Manoel Luz, editado pela Minotauro, é romance de maior fôlego de quem quase esteve para se deixar de aventuras literárias, depois de um livro de estreia, A Vida Inútil de José Homem, que lhe valeu o prémio Agustina Bessa Luís em 2012 – ganhou o prémio Miguel Torga com o primeiro livro, de contos, Na Terra dos Homens, em 2008. Marlene Ferraz numa entrevista ao i.

O Doodle de Macondo

Gabriel García Márquez é o homenageado de hoje do Google, com um Doodle próprio. O autor Nobel de “Cem Anos de Solidão” e “Amor em Tempo de Cólera” faria hoje 91 anos. Faleceu a 17 de abril de 2014, na Cidade do México, após ser internado com pneumonia enquanto tratava um câncro no sistema linfático. O Doodle de hoje foi idealizado por Matthew Cruickshank e representa a aldeia de Macondo, criada em “Cem Anos de Solidão”. Livro iniciador do realismo mágico, conta a história da família Buendía, que aqui aparece. García Márquez nasceu em Aracataca, na Colômbia, em 1927.

Mataram a Cotovia e Huckleberry Finn retirados de curriculum no Minnesota

A notícia é do Guardian, citando o Bemidji Pioneer. Um agrupamento de escolas no Estado do Minnesota decidiu retirar “Mataram a Cotovia” e “As aventuras de Huckleberry Finn” do seu curriculum, reclamando que estes romances clássicos com referências racistas por que podem criar situação de “humilhação e marginalização”. Os responsáveis do Duluth vão manter os livros nas bibliotecas. Serão ensinadas as mesmas matérias, afirmou o responsável do agrupamento ao jornal local, mas utilizando outras opções literárias: “We felt that we could still teach the same standards and expectations through other novels that didn’t require students to feel humiliated or marginalised by the use of racial slurs”.