António Guerreiro: Odeio livros

Sobre a crónica de José Pacheco Pereira sobre livrarias, escreve António Guerreiro, também no Público:
“Não é o livro que está em perigo (esse, é produzido em abundância); o que está em perigo (e não faltam no últimos anos os gritos de alarme, um pouco por todo o lado) é precisamente o sector da literatura, do ensaísmo, da ciência e das humanidades, que foi, até ao momento em que a edição seguiu o modelo do consumo e da produção industrial, o tronco da actividade editorial. Tanto livro, tanto livro, mas a maior parte do património literário está completamente ausente da edição e, ainda mais, das livrarias. Podemos dizer que os livros gozam hoje de um prestígio que, na generalidade, já não merecem; e que não há maior injustiça do que o triunfo deste canibalismo do lixo editorial que, ainda por cima, se alimenta do capital simbólico daqueles que ele devora. Este estado de coisas engendrou até a sua linguagem e os seus “conceitos”: as categorias de “ficção” e “não-ficção”, esse jargon que o sector editorial difundiu com sucesso por todo o lado, até nas páginas de crítica literária, representam a realização de um desígnio de simplificação e redução. Inventam-se as categorias e depois organiza-se o mudo em função delas.”

Público: Sócrates exigiu ultrapassar vendas de José Rodrigues dos Santos

“O ex-primeiro-ministro José Sócrates deu três dias ao grupo Babel para pôr no top dos livros mais vendidos a sua tese de mestrado sobre a tortura em democracia”, escreve o Público. “O Ministério Público defende que uma parte do dinheiro que José Sócrates recebeu a título de subornos do Grupo Lena serviu para comprar exemplares do A Confiança no Mundo: Sobre a Tortura em Democracia em quantidades industriais, através dos amigos, para ficar conhecido como autor de sucesso. O próprio nega-o.”

O jornal escreve que foi o fundador do grupo Babel, Paulo Teixeira Pinto, “quem decidiu apostar no resultado dos estudos de Sócrates em Paris. Dois anos mais tarde, quando foi inquirido pelas autoridades, o então director comercial da editora ainda não se tinha esquecido das particularidades que tinham rodeado o lançamento e a venda do livro. Tanto José Araújo como uma colega sua da Babel relataram os insistentes telefonemas do autor para saber se já tinha ultrapassado José Rodrigues dos Santos nas vendas, e o seu desapontamento ao saber que isso não sucedera”, noticia.

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