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Numa escolha unânime do júri, Camões e Outros Contemporâneos (Presença, 2017), de Helder Macedo, venceu a edição de 2018 do prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus. “Poeta e romancista reconhecido, Helder Macedo oferece-nos neste livro da sua vertente ensaística um percurso pela literatura portuguesa, da Idade Média à actualidade, em que a familiaridade com os grandes autores do passado e os do presente nos aproxima do seu universo, cruzando criação e vida”, diz a acta do júri, que assinala ainda a coincidência de o prémio ser atribuído “a uma obra que começa precisamente pela análise inovadora de uma cantiga de amigo do rei poeta que o nome do prémio celebra”. Conquistou ainda os jurados o modo como Macedo “assume a ousadia das suas descobertas e o faz com uma erudição que, longe de afastar o leitor, o fascina pelos novos horizontes que vem abrir”. Do Público.

Meta-crítica literária, «A Cada Esquecido o seu Adido» de Luís Miguel Rosa

Sabemos, desde Álvaro Ribeiro, que em Portugal a poesia substituiu a filosofia, os poetas foram os nossos maiores pensadores, os seus versos assombram-nos com todo o rigor do seu acúmen sentimental“, escreve Luís Miguel Rosa no seu blogue Homem-do-Livro. O post “A Cada Esquecido o seu Adido” é um análise da crítica literária, nomeadamente de um ponto recorrente, a “crença casmurra de estarmos sempre a um passo de perdermos o património, de espreitarmos da beira dum precipício um abismo sempre atarefado a abocanhar toda a nossa história, toda a nossa identidade, condenando todos nós à amnésia“. Numa análise que começa no século XIX e vem até os nossos dias.

“Não passa uma semana sem o Público, o Expresso, o Diário de Notícias,nos terrorizarem com um horizonte vazio de referências ou nos fazerem sentir idiotas por não lermos o falecido dilecto do cronista”, sugere, “este tipo de discurso, entre o choradinho e o raspanete, já se tornou um género literário com estrutura própria, como romances de cavalaria ou relações de naufrágios quinhentistas”.

Corrigindo erros históricos, destapando incongruências e apontando preferências pessoais ou geracionais travestidas de opiniões fundadas, o autor traça um retrato muito interessante da crítica e jornalismo cultural português.

O blogue aqui.

Porto Editora edita reportagens de Herberto Helder

“Em Minúsculas”. Assim se chama o livro que a Porto Editora vai editar em Março com as reportagens e crónicas de Herberto Helder escritas em Angola para o semanário Notícia.
O trabalho jornalístico foi realizado entre abril de 1971 e junho de 1972, e as peças eram assinadas tanto como Herberto Helder como por Luís Bernardo. Daniel Oliveira, filho do escritor, Diana Pimentel e Raquel Gonçalves são os autores da investigação, transcrição, revisão e selecção de textos.