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Entrevista: Jorge Carrión, no Sol

Jorge Carrión é um colecionador de livrarias. Nascido em Tarragona em 1976, doutorou-se em Humanidades e trabalha como jornalista e escritor. Viajante experimentado, a primeira coisa que faz quando chega a uma cidade é visitar o museu de arte contemporânea, se o houver, e descobrir as suas livrarias. Só depois vem o resto.

O lugar de segurança que para a minha mãe e para a minha avó era a igreja, para mim é a livraria. A etimologia da palavra latina para religião é ‘re-ligio’, que significa ‘religar’, voltar a, unir, com uma certa experiência. Creio que nesta época de vida passada ao ecrã, ao computador, a livraria é o lugar privilegiado para nos religar com o objeto, com o material. A livraria tem uma dimensão ritual muito acentuada.

Acha que as livrarias estão a ficar cada vez mais parecidas umas com as outras?

Hoje há muitas livrarias, mas penso que podem ser divididas nalgumas tipologias principais. Uma é a livraria de cadeia, que tem um desenho muito homogéneo. Outra é a livraria independente, que também tem uma estética muito própria, com muita madeira, sofás, um aspeto boémio… Depois as livrarias de design ou de museu, que são brancas, diáfanas. Há tendências, mas depois os bons livreiros sabem dar a cada uma o seu próprio toque de originalidade. E muitas vezes sabemos que detrás de uma boa livraria há um bom ateliê de arquitetura. As livrarias são obra de um livreiro e de um arquiteto.

Há alguma livraria onde vá com mais frequência?

Quase todos os dias, depois de ir buscar os meus filhos ao colégio, vou com eles a uma livraria que fica no meu bairro, a Nollegiu. Essa é que tenho mais à mão. Mas tento não perder o contacto com outras que me interessam e sempre que vou a uma cidade nova tento conhecer as suas livrarias. Ainda há um bocadinho fui à Pó dos Livros e trouxe de lá um cartão. Tenho uma caixa com milhares destes cartões de todo o mundo.

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