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O país que lê menos livros

Segundos dados da União Europeia, publicados pelo jornal Expresso do fim-de-semana passado, indicam que Portugal é o estado-membro com o mais baixo índice de leitura. Nos últimos doze meses, apenas 40 por cento dos inquiridos tinham lido um livro, contra os 90 por cento da Suécia, os 86 por cento da Holanda… bem de todos os países. A seguir a Portugal, pela negativa, está a Grécia, de onde 50 por cento dos inquiridos disseram ter lido um livro no último ano, Bulgária 55%, Itália 56% e daí para cima.

Consumo de bens culturais na UE

Portugal está no fim da lista também na dança, ir ao teatro, visitar livrarias ou ir a concertos, museus, monumentos ou cinemas.

António Guerreiro: Odeio livros

Sobre a crónica de José Pacheco Pereira sobre livrarias, escreve António Guerreiro, também no Público:
“Não é o livro que está em perigo (esse, é produzido em abundância); o que está em perigo (e não faltam no últimos anos os gritos de alarme, um pouco por todo o lado) é precisamente o sector da literatura, do ensaísmo, da ciência e das humanidades, que foi, até ao momento em que a edição seguiu o modelo do consumo e da produção industrial, o tronco da actividade editorial. Tanto livro, tanto livro, mas a maior parte do património literário está completamente ausente da edição e, ainda mais, das livrarias. Podemos dizer que os livros gozam hoje de um prestígio que, na generalidade, já não merecem; e que não há maior injustiça do que o triunfo deste canibalismo do lixo editorial que, ainda por cima, se alimenta do capital simbólico daqueles que ele devora. Este estado de coisas engendrou até a sua linguagem e os seus “conceitos”: as categorias de “ficção” e “não-ficção”, esse jargon que o sector editorial difundiu com sucesso por todo o lado, até nas páginas de crítica literária, representam a realização de um desígnio de simplificação e redução. Inventam-se as categorias e depois organiza-se o mudo em função delas.”

Moreira da Costa pode ser despejado

Conta o JN deste sábado que a Moreira da Costa corre o risco de fechar pois os novos proprietários do Hotel Infante Sagres, senhorios da livraria, querem incluir aquele espaço nas obras de remodelação do edifício, encerrá-lo e abrir uma loja de artigos relacionados “com a marca e com a cidade”, refere o jornal. O mais antigo alfarrabista da cidade do Porto tem o selo do programa municipal “Porto Tradição” mas nem isso parece interferir com a decisão, da mesma forma que sucedeu em Lisboa com a Aillaud e Lello, em Lisboa. “O alfarrabista, fundado em 1902 na Rua de Aviz, pretende manter ali os seus 50 mil títulos. A Sagrotel quer ocupar o espaço e alega que denunciou o contrato de arrendamento antes da Moreira da Costa ser considerada loja histórica”, explica o jornal, e a câmara confirmou: “A denúncia do contrato é anterior ao requerimento e consequente processo de reconhecimento. Prevalece, por isso, o mecanismo legal acionado pelo senhorio, a menos que se verifique consenso entre as partes”. A empresa refere que o projecto aprovado na autarquia “obriga à desocupação total da livraria”.